A Caverno dos Tesouros - Capitulo 47

Os Três Magos

1

Quando os Magos se puseram a caminho, havia em Judá uma grande movimentação por causa do édito de César Augusto, ordenando que cada homem se recenseasse em sua terra e em sua cidade de origem. Por isso é que Herodes ficou tão preocupado. e disse aos magos: "Ide e informai-vos bem!"

2

Eles se chamavam Magos por causa dos trajes que todos os reis pagãos portavam; quando faziam sacrifícios e traziam oferendas aos seus deuses, vestiam uma vestimenta dupla, por baixo a da realeza e por cima a da magia. Assim também eles, quando chegaram até o Messias, portavam os dois trajes, para poderem oferecer os seus presentes.

3

Quando se afastaram de Jerusalém e de Herodes, apareceu-lhes a estrela, que era o guia a indicar-lhes o caminho, e alegraram-se profundamente. A estrela ia adiante deles. até que chegaram a uma gruta: então eles viram o Menino envolto em panos e depositado numa manjedoura.

4

Enquanto subiam, imaginavam consigo pelo caminho que presenciariam um espetáculo grandioso ao lá chegarem, a pompa real e as instalações de um palácio de governo. Pois nascido o Rei, assim pensavam, encontrariam no país de Israel uma corte real, aposentos lavrados em ouro, o Rei e o filho do Rei vestidos de púrpura, divisões do exército e corpos de guarda obedientemente às ordens do Rei, e no palácio a presença dos grandes da terra que o honravam com seus presentes, a mesa real preparada com finos manjares, com ser-vos e servas reverentemente a postos.

5

E isso que os Magos pensavam encontrar. Mas nada disso encontraram, ao contrário, viram algo de muito mais grandioso. tão logo entraram na gruta. Viram José ali sentado cheio de admiração e Maria de olhos contemplativos. Mas não havia instalações luxuosas preparadas para eles, nenhuma mesa posta e sinal algum de pompa real à mostra.

6

Apesar de toda essa humildade e pobreza, não tiveram nenhuma dúvida em seus corações; aproximaram-se com reverência, adoraram-no e mandaram trazer os seus presentes: ouro, incenso e mirra. Maria e José ficaram muito constrangidos por nada terem a oferecer-lhes; mas os magos alimentaram-se das suas provisões de viagem.

7

O Messias havia completado oito dias quando os Magos Lhe trouxeram os presentes. Ao mesmo tempo em que José circuncidava o Menino, Maria recebia os presentes. José circuncidara-o de fato segundo a Lei.

8

E chamou isso de circuncisão, embora nada fosse subtraído ao Menino, pois assim como um ferro que penetra uma chama de fogo, separa-a mas não a corta, assim também foi a circuncisão do Messias, sem que nada Lhe fosse tirado.

9

Nos três dias em que os Magos permaneceram junto d'Ele, viram as Potestades celestes subindo e descendo junto ao Messias, e ouviam o coro dos Anjos, que louvavam dizendo: "Santo, santo, santo é o Senhor, Deus Todo-Poderoso; o céu e a terra estão cheios de sua Glória". Foram possuídos então de grande temor, acreditaram verdadeiramente no Messias e disseram: "Este é o Rei que desceu do céu e se fez Homem".

10

E Peroz disse-lhes: "Agora eu sei que a profecia de Isaias é verdadeira; pois, quando eu estava na escola dos hebreus, li Isaías e lá encontrei o seguinte: `Um menino nos nasceu; um filho nos foi dado; o seu nome é Admirável, Conselho, Deus, Eterno, Herói'.

11

"Em outro lugar está escrito: Vede, uma virgem ficará grávida e dará à luz um filho, e o seu nome é Emmanuel, isto é, Deus conosco. Mas sendo Ele como um homem, e os Anjos do céu descendo até junto d'Ele, isso mostra que na realidade Ele é o Senhor dos Anjos e dos homens."

12

E todos os Magos creram e disseram: "Este é verdadeiramente Deus; pois, sobre a terra já nos nasceram tantas vezes reis, heróis e filhos de heróis; mas nunca ouviu-se dizer que os Anjos desceram até eles." Em seguida levantaram-se e adoraram-na como Senhor e Rei de todo o mundo. Prepararam depois as suas provisões e voltaram para sua terra, pelo caminho do deserto.