Livro de Melquisedeque - Capitulo 11

O Eterno nega-lhes o trono, e eles blasfemam contra o Eterno

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Ao lhes ser negado o trono, Lúcifer e suas hostes passaram a acusar o divino Rei, proclamando ser o seu governo de tirania.

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Afirmavam ser sua permanência no trono a mais patente demonstração de Sua arbitrariedade.

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Não lhes concedera liberdade de escolha?

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Por que neutralizá-la agora, impedindo-os de pôr em prática um sistema de governo superior?

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As acusações das hostes rebeldes repercutiram por todo o Universo, fazendo parecer que o governo do Eterno era injusto.

6

Isto trouxe profunda angústia àqueles que permaneciam fiéis ao reino da luz.

7

Não sabendo como refutar tais acusações, essas criaturas, emudecidas pela dor moral, ansiavam pelo momento em que novas revelações procedentes do Criador pudessem aclarar-lhes os mistérios desse grande conflito.

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As acusações e blasfêmias das hostes rebeldes alcançavam o ponto culminante quando o Eterno, num gesto surpreendente, ergueu-se de Seu trono, como que pronto a deixá-lo.

9

Os infiéis, na expectativa de uma conquista, aquietaram-se, enquanto um sentimento de temor penetrava no coração dos súditos da luz.

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Entregaria Ele o domínio de toda a criação, para livrar-Se das vis acusações?

11

De acordo com a lógica a partir da qual Lúcifer fundamentava seus ensinamentos, não restava outra alternativa ao Criador.

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Nesta tremenda expectativa, o Universo acompanhava os passos de Deus.

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Deus se levanta do trono e anuncia a queda dos rebeldes e a vitória dos fiéis

Num gesto de humildade, o Criador despojou-Se de Sua coroa e de Seu manto real, depondo-os sobre o alvo trono.

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Em Seu semblante não havia expressão de ressentimento ou ira, mas de infinito amor e tristeza.

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Com solenidade, o Eterno proclamou que o momento decisivo chegara, quando cada criatura deveria selar sua decisão ao lado da luz ou das trevas.

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Numa ampla revelação Ele alertou para as consequências de um rompimento com a Fonte da Vida.

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Com olhar de ternura o Criador contemplou seus filhos.

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Era um olhar de humildade, que cheio de amor, suplicava para que permanecessem ao Seu lado.

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Incontáveis criaturas, emocionadas, corresponderam ao Seu olhar de bondade, enquanto uma multidão se manteve cabisbaixa.

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Lúcifer e seus seguidores estavam conscientes da seriedade daquele momento.

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Ainda era possível voltar atrás em seus planos, entregando-se arrependidos ao divino Pai que sempre os amara.

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Enquanto cabisbaixos consideravam sobre a decisão final, Lúcifer e seus adeptos ouviam o cântico daqueles que, em reconhecimento e gratidão, colocavam-se ao lado do Eterno.

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A última luta travava-se no coração dos infiéis que, estremecidos, chegaram a pensar em recuar.

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Finalmente, a lembrança do recente gesto divino, despojando-Se da coroa, deu-lhes a certeza de que o governo lhes seria entregue.

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Vendo que o Trono permanecia vazio, Lúcifer e suas hostes, dominados pela cobiça, romperam definitivamente com o Criador;