Livro de Melquisedeque - Capitulo 35

A queda de Eva

1

Um completo silêncio pairava sobre o Universo.

2

Em cada planeta habitado, os filhos da luz contemplavam impotentes aquela angustiante cena.

3

O futuro deles estava em jogo.

4

Em Jerusalém havia grande comoção.

5

Poderosos anjos apresentaram-se diante do Criador, solicitando permissão para esmagarem o covarde inimigo, oculto naquela serpente.

6

O Eterno, contudo, impediu-lhes tal ação.

7

Se o uso da força fosse a solução, já o teria aplicado.

8

Deviam respeitar o livre-arbítrio concedido ao homem, podendo ele manifestar sua escolha sob a tentação do inimigo.

9

Os filhos da luz sofriam imensamente ao verem a mulher duvidando d’Aquele que tão bondosamente lhes dera a vida e a oportunidade de reinarem naquele paraíso.

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Como poderia duvidar de quem lhes dedicava tanto amor?!

11

Adão, que numa forte esperança de assegurar a acalentada vitória apressava-se em sua corrida, contemplou ao longe sua amada, assentada junto à árvore da prova.

12

O que fazia Eva naquele lugar tão perigoso?!

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Um pressentimento horrível lhe sobreveio, ao lembrar-se mais uma vez das advertências recebidas, mas procurou bani-lo como pensamento de que alcançaria sua esposa antes que algum mal lhe ocorresse.

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Eva vacilava em sua convicção ao contemplar o fruto em suas mãos.

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Seu brilho, seu encanto, uma forte magia atraia aquele fruto a sua boca.

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Por alguns momentos o futuro pareceu-lhe sombrio e aterrador, mas venceu esse sentimento, pensando nas glórias que haveria de conquistar ao comer aquele fruto.

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Ainda um tanto indecisa ergueu vagarosamente as mãos até tocar o fruto com os lábios.

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Os súditos do reino da luz, estremecidos, inclinaram-se tomados por grande espanto.

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Parecia quase impossível, àquela altura, a mulher voltar atrás.

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Enquanto pálidos os fiéis indagavam sobre uma possível esperança, presenciaram com horror a terrível decisão de Eva: resolvera romper para sempre com o Criador, tornando-se cativa da morte.

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O Eterno, que em silêncio e dor contemplava aquela cena de rebelião, curvou a fronte a face banhada de lágrimas.

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Não podia suportar a dor daquela separação.

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Os fiéis, que em pânico julgavam-se vencidos, foram conscientizados de que nem tudo estava perdido.

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Se Adão resistisse à tentação, permanecendo fiel ao Eterno, ele selaria a grande vitória.

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Eva, que fora vítima de um engano, poderia ser conscientizada de seu erro, sendo favorecida com o perdão divino.

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Quando Adão em sua angustiosa corrida alcançou o lugar da árvore, já era tarde demais.

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Assentada junto ao rio, Eva saboreava despreocupadamente o fruto proibido.

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Adão estremeceu.

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Seria mesmo o fruto da prova?

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Num gesto de esperança olhou para a árvore da ciência do bem e do mal, mas em pranto reconheceu a triste condenação.

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Cheio de tristeza contemplou sua esposa, mas não encontrou palavras para despertá-la para tão amarga realidade.

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Em completo desespero ergueu a voz numa dolorosa exclamação:

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"Eva, Eva, o que você está fazendo!".

34

Ao comer do fruto proibido, a mulher foi tomada por emoções que a fizeram imaginar haver alcançado uma esfera superior de vida.

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Ao ouvir a voz de seu esposo, ainda tomada pelas ilusórias emoções, ergueu a fronte estampando um sorriso, mas surpreendeu-se ao vê-lo chorando.

36

Com profunda amargura, Adão procurou saber a razão que a levara a rebelar-se contra o Eterno.

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Eva, prontamente, passou a contar-lhe a fantástica história da sábia serpente.

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Satanás sabia que essa história de serpente jamais convenceria o homem a comer do fruto da árvore proibida.

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Precisava encontrar uma maneira sutil de levá-lo a selar sua sorte seguindo os passos de sua esposa.

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Tendo Eva sob seu poder resolveu fazer dela o objeto tentador.

41

Aguardaria o momento oportuno para enlaça-lo.