Livro de Melquisedeque - Capitulo 37

A angustia do anjos da luz

1

Em todo o Universo os filhos da luz sofriam e pranteavam a derrota.

2

Nunca houvera tanta tristeza e horror ante o futuro.

3

As vozes que viviam a entoar louvores ao Criador proferiam agora lamentações.

4

O Eterno, que vencido por infinita dor prostrara-Se em pranto ante a queda do homem, não fora, contudo, surpreendido.

5

Pois, antes mesmo de criar o Universo já havia previsto esse triunfo da rebeldia e, em Sua sabedoria e amor, idealizara um plano de resgate que O envolveria num imenso sacrifício.

6

Enxugando as lágrimas de Seu pranto, pôs-Se a agir poderosamente em favor de Seus fiéis aflitos, impedindo-os de caírem nas mãos dos inimigos.

7

Nessa misteriosa intervenção que aparentemente depunha contra a justiça, o Eterno ordenou que Seus mais poderosos anjos circundassem imediatamente o jardim do Éden, impedindo que Satanás tomasse posse do monte Sião.

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Consoladas ante a manifestação divina, as potentes criaturas, em pronta obediência, romperam o espaço infinito, circundando em instantes o paraíso, no seio do qual o ser humano, já transtornado pelo pecado, vivia o negror de uma noite que seria longa e cruel.

9

Sendo a autoridade do Eterno fundamentada na justiça, de que maneira poderia justificar Suas ações diante dos inimigos?

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Não entregara por Sua vontade o reino ao homem, e esse por livre escolha não o submetera a Satanás?

11

Enquanto surpresas as criaturas racionais consideravam as ações decisivas de Deus, ouviram Sua potente voz que, repercutindo por toda a criação, trazia a revelação do grande mistério; revelação tão maravilhosa que a partir daquele momento, por toda a eternidade, ocuparia a mente dos fiéis, sendo tema para as mais doces meditações.

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O Eterno falou primeiramente sobre a terrível condenação que pendia sobre o homem e toda a criação.

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Disse que, ao se desligar da Fonte da Vida, o homem havia se precipitado em tão profundo abismo que não poderia ser alcançado pelo Seu braço de justiça e poder.

14

Humilhado e torturado pelas garras do inimigo, não restava ao homem outra sorte além da morte; fruto doloroso de sua espontânea rebelião.

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Considerando a situação humana, as hostes da luz não viam possibilidades de triunfo.

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Sabiam que só o homem poderia retomar o domínio do inimigo, devolvendo-o ao Criador.

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Mas o ser humano, eternamente escravizado em sua natureza, seria incapaz de tal vitória.

18

Deus fala sobre o plano de salvação do homem

Com voz melodiosa e cheia de ternura, Deus revelou o plano da redenção, dizendo:

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Na verdade, o homem colherá o fruto de sua rebelião numa terrível morte.

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Não posso, com o Meu poder, mudarlhe a sorte.

21

Se assim agisse, seria injusto diante de meu decreto.

22

Mas farei cair toda a condenação sobre um Redentor que surgirá na descendência humana.

23

Esse Homem não trará em suas mãos as algemas da morte, sendo inocente e incontaminado em Sua natureza.

24

Como representante da raça humana, enfrentará Satanás e o vencerá.

25

Após triunfar nessa batalha, provando que o amor é mais forte que o egoísmo, que a verdade é mais forte que a mentira, que a humildade é mais poderosa que o orgulho, o fiel Redentor erguerá as mãos vitoriosas não para saudar a grande conquista, mas para tomar das mãos da humanidade escravizada à taça de sua condenação.

26

Sorverá assim, submisso, o cálice da eterna morte.

27

Esse imenso sacrifício abrirá aos seres humanos uma oportunidade de serem redimidos, voltando aos braços do Criador, juntamente com o domínio perdido.

28

As hostes, surpresas ante a revelação do Eterno, indagaram a identidade d'Esse Redentor.

29

O Criador, com um sorriso amoroso, disse-lhes:

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Parte de Mim será esse Homem.

31

O Meu Espírito repousará sobre uma virgem, e nela será gerado um Filho Santo.

32

Esse menino será divino e humano.

33

Em sua humanidade, ele será submisso à divindade que n’Ele habitará.

34

Os remidos verão n'Ele o Pai da Eternidade, o Criador e Redentor, o Rei dos reis.

35

O Seu nome será Jesus (Yoshua nome hebraico que traduzido significa o Eterno salva).

36

Assumindo a natureza humana, Deus poderia pagar o resgate, morrendo em lugar dos pecadores.

37

As hostes da luz ficaram emudecidas ao conhecer o plano do Criador.

38

O pensamento de verem-No submeter-Se a tão penoso sacrifício, a fim de redimir o domínio perdido, era demais para suportarem.

39

Não havia, contudo, outra esperança de vitória, a não ser através dessa amorosa entrega.