Livro de Melquisedeque - Capitulo 45

Deus leva o casal para uma nova morada

1

Amparando Adão e Eva em seus passos, o Criador conduziu-os através de um vale ferido, até alcançarem o sopé de uma colina.

2

Galgaram-na em lentos passos, enquanto trocavam palavras de ânimo e esperança.

3

Seus pés alcançaram finalmente a relva macia que cobria o topo espaçoso daquela colina.

4

Era sobre aquele lugar que o casal via a cada dia o sol declinar, banhando o céu e os vales de um vermelho vivo, como o sangue que jorrara do peito do cordeiro.

5

Voltando-se para o lado oriental, o casal, num misto de dor e saudade, contemplou ao longe as paisagens que os envolveram naquele passado tão feliz.

6

Ao divisarem o monte Sião, que majestoso erguia-se no meio do Éden, choraram ao lembrar da queda.

7

Quão fracos tinham sido!

8

O sol declinava em sua jornada, anunciando a chegada de mais uma triste noite - a primeira fora do paraíso.

9

Num calmo gesto, o Eterno, mostrando-lhes o vale sobranceiro à colina, falou-lhes com carinho:

10

“Aqui será vossa provisória morada”.

11

Daqui podereis contemplar o paraíso que por algum tempo permanecerá na Terra, até ser recolhido ao seu lugar de origem, no seio da Jerusalém Celeste.

12

Ali, protegido pela justiça, aguardará o alvorecer da vitória.

13

“Quando esse grande dia chegar, retornaremos juntos a Sião, onde seremos coroados em glória, num reino de eterna felicidade e paz”.

14

Depois de dizer estas palavras, Deus ordenou ao casal que construísse naquele lugar um altar de pedras, sobre o qual a cada semana, na noite que antecede o sábado, deveriam imolar um cordeiro, pela memória de Seu sacrifício.

15

Como sinal de Sua presença, e para a certeza de que seus pecados seriam perdoados, Ele acenderia um fogo sobre o altar, o qual duraria toda a noite, até consumir por completo a oferta do sacrifício.

16

Para que o ser humano pudesse firmar sua fé sobre as verdades reveladas, e não na manifestação visível da pessoa do Criador, Ele haveria de permanecer invisível daquele momento em diante.

17

Somente em ocasiões especiais, quando se fizesse necessário Sua aparição ou a de anjos para novas revelações e advertências, isto ocorreria.

18

Contemplando os Seus filhos entristecidos naquele momento em que seriam deixados aparentemente sozinhos.

19

O Eterno disse-lhes com amor:

20

“Filhos, embora vocês tenham de permanecer neste ambiente hostil, não precisam temer, pois Eu permanecerei ao lado de vocês”.

21

Serei um companheiro amigo nesta jornada; levarei sobre os meus ombros suas dores, seus anseios, suas lutas.

22

Quando, tentados pelo inimigo, estiverem a ponto de ceder, poderão encontrar abrigo em meus braços, que sempre estarão estendidos para salvá-los;

23

E, se algum dia vocês não resistirem, e pela fúria do inimigo forem arrastados para as profundezas do abismo;

24

Não se desesperem julgando não haver esperança, pois Eu estarei ali para acudi-los com o meu perdão e força.

25

Tenham sempre em mente o significado das vestes recebidas das minhas mãos, pois elas falam da redenção que ao homem pertence.

26

”Descansem filhos meus, nos meus braços de amor”.

27

Depois de consolar o casal com estas promessas, o Criador, vendo que estavam sonolentos pelo cansaço, os fez reclinar no Seu colo e, como de costume, acariciou-os docemente até adormecerem.

28

Ao vê-los esquecidos em seu sono, Deus chorou ao prever o sofrimento que experimentariam ao acordar.