Livro de Melquisedeque - Capitulo 54

O adquire conhecimento sobre a criação e seus significados

1

Antes da queda, o homem, assim como a todas as hostes celestiais, aprendia aos pés do Criador que com paciência ensinava-lhes os tesouros da sabedoria contidos no vasto compêndio da natureza.

2

Tudo no Universo, desde o ínfimo átomo ao maior dos mundos, testificava em sua perfeita existência do caráter do divino Rei.

3

Muitos ensinamentos, porém, permaneceram ocultos nas páginas desse grande livro no período que antecedeu à queda:

4

Eram como as estrelas que, ocultas durante o dia, revelam seu brilho ao baixarem as sombras da noite.

5

Tendo a natureza cativa, o inimigo, no intento de bloquear a revelação da Eterna Sabedoria, introduziu nela borrões de egoísmo, destruição, infelicidade e morte.

6

Não sabia que esses borrões fariam evidenciar na face da criação a profundidade da justiça e amor de Deus, levando os fiéis amá-Lo e reverenciá-Lo ainda mais.

7

Para o casal, assim como para todos os filhos da luz, a natureza ferida rompeu o seu véu, revelando novos aspectos da bondade do Criador ocultos até então.

8

Adão e Eva que estavam acostumados às flores eternas no paraíso, aquelas que não as viram desabrochar, viam-nas agora surgirem em tenros botões, em meio às ameaças de espinhos prontos a ferirem.

9

Essas tenras flores, sem importarem-se com os espinhos, exalavam perfumes suaves de louvor e gratidão, jamais se cansando de agradar o ambiente.

10

Quando fustigada pelos ventos frios da noite, essas flores não se ressentiam, mas ofereciam seu aroma, que transformava a fúria dos ventos em brisas perfumadas de um alvorecer.

11

Movidos por profunda gratidão, o casal acompanhava atentamente o ministério de amor daquelas flores que, jamais se cansavam de abençoar, oferecendo sua beleza e perfume como alívio para aqueles que eram feridos pelos rudes espinhos.

12

Aquelas flores singelas e puras, depois de mostrar em sua curta vida que o perdão e o amor são mais fortes que todos os ventos e espinhos, num último esforço de comunicar alegria, exalavam seu perfume, tombando murchas e sem vida sobre o solo frio.

13

Ali, esquecidas, transformavam-se em insignificante pó que era espalhado pelo vento.

14

A morte das flores, ainda que parecesse fracasso, revelou ao casal o mistério do renascimento da vida:

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Morrendo, as flores davam vida aos frutos que, por sua vez, depois de servirem de alimento, doavam suas sementes cheias de vida.

16

Na morte dessas sementes renascia o milagre da vida, multiplicando as árvores com suas flores prontas a repetir o ensinamento do amor e do sacrifício.

17

A natureza, portanto, embora maculada pelo pecado, revelava o mistério oculto do plano da redenção.

18

Cada flor a desabrochar em meio aos espinhos, em sua curta vida de amor, era um símbolo do Salvador que nasceria entre os espinhos da maldade, para com o seu perfume consolar o coração dos aflitos.

19

Semelhante à flor, o Messias depois de provar que o amor e o perdão são mais fortes que todos os ventos do ódio; que a verdade e a justiça do reino de Deus são maiores que todos os enganos e injustiças do reino do inimigo, verteria a seiva de sua vida, morrendo para redimir os culpados.