Livro de Melquisedeque - Capitulo 57

Adão e Eva sentem saudades de ver o Eterno, o qual aparece para eles

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Muitas semanas já haviam passado, trazendo consigo as noites de dor e sacrifício, seguidas pelos dias de esperança e saudade d’Aquele Pai carinhoso, o qual depois de fazer-lhes promessas e enxugar suas lágrimas, tornara-Se invisível diante de seus olhos.

2

Cada dia que passava, trazia para o casal novo fardo de saudade, fazendo-os indagar a cada entardecer:

3

Quando beijaremos novamente Sua face?

4

Quando seremos envolvidos por Seus braços, caminhando sob a luz de Seu amor?!

5

Quanta saudade sentiam daquelas noites edênicas, quando adormeciam no colo macio de seu divino Pai!

6

Mais uma semana de trabalho e lições aprendidas estava findando.

7

O sol em seu declinar anunciava outra noite de arrependimento e de sangue inocente a banhar o altar.

8

O silente casal estava longe de imaginar que naquela noite, o doloroso golpe que sempre era seguido pelo fogo, revelar-lhes-ia a face bendita do Pai.

9

Com as mãos trêmulas, Adão ergue o cordeiro que, mudo, não faz nenhuma resistência ao ser deposto sobre o altar.

10

Lágrimas rolam em seu rosto ao pensar que mais um inocente animal mergulhará nas odiadas trevas da morte, para com seu sangue gerar a luz.

11

É doloroso sacrificar, mas não há outro caminho de salvação.

12

Unicamente através do sangue derramado do cordeiro poderão viver para contemplar no futuro a face do Pai.

13

Num penoso esforço Adão faz cair aquela pedra pontuda sobre o cordeirinho que, num gemido de dor derrama o seu sangue.

14

Uma Luz gloriosa logo bane as trevas inundando toda a colina com seus raios de vida.

15

Através das lágrimas o casal então contempla em meio ao fogo do altar, o Criador.

16

Num gesto de amor, Deus abre os Seus braços como outrora, e com um sorriso caminha para o tão almejado abraço.

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Sem encontrar palavras que expressem sua imensa saudade, o casal lança-se ao Seu peito e choram amargamente ao divino Pai, comovido, também chora, mas procura consolar seus filhos, com seu doce sorriso.

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Com emoção o casal contempla a face do Pai, envolvendo-a com beijos e carinhos.

19

O amor deles por Ele fora intensificado pelo sofrimento.

20

Gratos e felizes caminham ao lado do Criador, mostrando-lhe os jardins carregados de flores e frutos.

21

Contam-lhe das lições aprendidas junto à natureza; mostram-Lhe o rebanho domado pelo afeto.

22

Iluminados pela suave luz do Eterno Pai, o casal assenta-se aos Seus pés como outrora, para ouvir Seus ensinamentos.

23

O Criador, olhando-os com ternura, passa a adverti-los do perigo.

24

Orienta-os a respeito dos sacrifícios de cordeiros, que eram importantes no sentido de manterem sempre em mente a certeza de um Salvador vindouro que, como os cordeiros, seria sacrificado para redenção dos pecadores.

25

Os cordeiros, contudo, não possuíam em si poder para perdoar as culpas, pois consistiam apenas símbolos do Messias Rei.

26

Depois de serem conscientizados do perigo de apegarem-se aos símbolos buscando encontrar neles a salvação, o casal recebeu a incumbência de transmitir essas orientações aos seus descendentes.