Livro de Melquisedeque - Capitulo 62

A rebeldia de Caim

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Um novo dia de sol radiante a caminhar pelo céu surgiu para Caim, trazendo em seus raios alegria e calor.

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Enquanto brincava no jardim, seus olhinhos curiosos voltavam-se muitas vezes para o sol que parecia acariciá-lo com um sorriso de esperança.

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Vendo-o, porém, caminhar em direção do ocidente, o pequeno correu para sua mãe, perguntando-lhe:

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Mamãe, ele prometeu ficar?

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Eva, tomando-o nos braços, sorriu-lhe procurando fazê-lo compreender com palavras simples, enquanto apontava-lhe o paraíso distante, a história da redenção.

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O sol viria um dia para ficar.

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Caim, insatisfeito com as palavras da mãe, demonstrou não ter paciência para aguardar esse dia que jazia em distante futuro.

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Repetia em pranto:

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"Eu quero o sol hoje, amanhã não!"

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Eva, pacientemente, procurou acalmar seu filho, falando sobre a luz de Deus, que pode tornar a noite em dia.

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Ele o amava e poderia encher seu coraçãozinho de brilho, de alegria e paciência.

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Poderia assim, aguardar feliz o dia de seus sonhos.

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Balançando a cabecinha em rejeição ao consolo da mãe, Caim proferiu entre soluços:

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"Eu quero o sol porque eu posso vê-lo, ao Eterno não".

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Como uma seta dolorosa as palavras de rebeldia de Caim penetraram no coração de Eva, fazendo-a chorar amargamente.

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Os fiéis em todo o Universo uniram-se nesse pranto.

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Uma tristeza infinita pairava sobre o coração do Criador rejeitado.

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Esboçavam-se nos gestos de Caim os primeiros passos pelo caminho descendente da rebeldia.

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Quantos o seguiriam rumo à morte!