Livro de Melquisedeque - Capitulo 9

Lúcifer coloca duvidas sobre o Eterno nos corações dos anjos

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Vendo que o momento propício para a propagação de sua teoria havia chegado, Lúcifer convocou os anjos para uma reunião especial.

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As hostes, desejosas de conhecer o significado do silêncio do Pai, tomaram seus lugares junto ao magnífico anjo, que sempre lhes revelara os tesouros do reino da luz.

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Lúcifer começou seu discurso exaltando, como de costume, o governo do Eterno.

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Num amplo retrospecto, lembrou-lhes as grandiosas revelações que os enriquecera em toda aquela eternidade.

5

O silêncio divino, apresentou-o como sendo a indicação de que o Universo alcançara a plenitude do conhecimento oriundo da luz.

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Silenciando, o Eterno abria-lhes caminho para o entendimento de mistérios ainda não sondados, mantidos até então além dos limites de Seu governo.

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Surpresas, as hostes tomaram conhecimento da experiência de Lúcifer sobre as trevas.

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Com eloquência, ele falou-lhes da ciência do bem e do mal, indicando-a como o caminho das maiores realizações.

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O efeito de suas palavras logo se fez sentir em todo o Universo.

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A questão era decisiva e explosiva, gerando pela primeira vez discórdia.

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Os seres racionais, em sua prova, tinham de optar por permanecer somente com o conhecimento da luz, o qual Lúcifer afirmava haver chegado ao seu limite, ou se aventurar no conhecimento da ciência do bem e do mal.

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No começo, os anjos debateram-se diante da questão, sendo logo depois todo o Universo posto à prova.

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Dir-se-ia que a ciência do bem e do mal haveria de arrebanhar a maior parte das criaturas, mas, aos poucos, muitos que a princípio se empolgaram com a teoria, despertaram para a ilusão da mesma, reafirmando sua fidelidade ao reino da luz.

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Ao fim desse conflito, que se arrastou por longo tempo, revelou-se um terço das estrelas do céu ao lado de Lúcifer, e as restantes, ainda que abaladas pela prova ao lado do Eterno.